quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mais um, de tantos, textos para ela.


É incrível o quão rápido você pode perder alguém. Um passo em falso, e pronto! Você se encontra sozinho, de novo.
Eu me lembro de todas as pessoas que tocaram minha vida, e por alguma infelicidade do destino, todas começaram doces e sutis... Era apaixonante. Mas não demorou muito para o gosto ficar amargo, de tal forma que irritava o céu da boca. Sempre me falaram que quando enfermidades acontecem uma ou duas vezes, talvez até três, é azar. Mas se isto se torna algo frequente, a culpa é sua.
“Seu problema é que você se expõe demais, e isto acaba assustando as pessoas.” Minha mãe sempre me diz isso quando me vê chorando. Eu sei que ela tem razão. Eu sou monocromática, é difícil lidar com isso. Eu sou difícil de lidar. As pessoas acham muito poético e bonito se definirem como mar, “eu sou inconstante, e mudo com a maré. Também sou profundo e blablabla”. Ser mar, não é legal. Ser mar é ficar sozinho.
Nas ultimas semanas, eu bati meu novo recorde, foi o que mais me decepcionei e mais “perdi alguém” em toda a minha vida. Sendo que uma delas me fez acreditar que seria para sempre. Mas eu, claro que fui eu, estraguei o que tinha a chance de ser a coisa mais bela e plena que já tive. E por mais que sinta saudade, arrependimento e a solidão de novo, eu não vou te procurar. Porque você me ensinou que é isso que se deve fazer: se mantiver convicta de suas atitudes.
Eu amei você, eu chorei com você, eu me preocupei com você, eu escrevi para você, eu dancei com você, eu cantei com você, eu fumei com você, eu me apaixonei com você, eu cuidei de você, eu admirei você, eu preocupei com você, eu confiei em você.  Eu provei de uma lista infinita de verbos e adjetivos com você.
Eu estou triste agora, e não é menos ou mais do que ontem, eu estou apenas triste. Vazia. Mentira, eu estou cheia. Transbordando... e é por isso que eu choro.
Você é meu timão, mas eu sou sua âncora.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MEC/INEP: A representação atual da Ditadura?

Esta é uma análise familiar sobre o ENEM:


Há alguns anos jovens brasileiros eram presos, torturados e tinham seus sonhos assassinados sem que muitas vezes lhes fosse esclarecida a razão de tal violência.

A revolta com a impossibilidade de opinar sobre o que estava certo ou errado e o desconhecimento dos motivos de tantas injustiças e perseguições fez com que o sistema opressor fosse combatido e, por fim, caísse por terra. A partir de então, as gerações subsequentes de jovens brasileiros aprendeu cada vez mais a não aceitar que suas vidas tomassem rumos que não fossem justificados de forma transparente e esclarecedora.

De repente, o MEC - instituição governamental responsável pela educação escolar dessa juventude - cria, alicerçado em justificativas pedagógicas que só são compreendidas por alguns poucos pesquisadores em Educação, um sistema de avaliação - o ENEM - que decide a vida de cada um de nossos jovens estudantes, e que, ao invés de ser claro, transparente e de justa e fácil compreensão, é recheado de aspectos nebulosos, de segurança falível, e que, desta forma, é tão similar, inaceitável e rejeitado quanto a nefasta ditadura militar.

O processo de avaliação do ENEM é tão incompreensível e de justiça duvidosa que, tal como consta no Manual do ENEM, um candidato que não responda qualquer uma das questões, ao invés de receber nota zero, receberá a nota mínima que for obtida em cada uma das 4 áreas de avaliação do exame! Enfim, qualquer um que tenha tirado nota mínima tentando responder as questões, terá a mesma nota de alguém que sequer respondeu as questões! Em uma situação absurda, mas possível, se todos os candidatos que responderam ao exame receberem a mesma nota, os que não responderam qualquer questão também receberão essa nota!

Exemplificações de absurdos a parte, inicialmente é preciso considerar que é direito líquido e certo que qualquer cidadão submetido a um processo de avaliação saiba o porquê recebeu determinada nota ou conceito em quaisquer das etapas do processo avaliativo.

O próprio presidente do INEP, Sr. Luiz Cláudio Costa, afirma que: "é um direito do participante conhecer o sistema de correção utilizado no Enem, já que pelo resultado alcançado ele pode se candidatar a vagas em Instituições Públicas de Ensino Superior e a programas do Governo como, por exemplo, o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)".

Desta forma parece bastante justo que, considerando que o ENEM decide quem permanecerá vivo, quem será torturado e quem morrerá profissionalmente, que o INEP ao tome providências que permitam ao candidato compreender e aceitar justamente as razões de seu desempenho. Desta forma, é fundamental que o MEC/INEP tome as seguintes providências:

1)       É inaceitável que documentos comprobatórios do processo avaliativo - tal como a correção da redação - sejam disponibilizados para verificação e talvez a tomada de providências judiciais, somente após a realização do SISU. Assim, é justo e lógico que esses documentos devam ser disponibilizados antes da abertura do SISU, havendo também a necessidade de definição de um prazo legal para tomada e avaliação de recursos também antes da abertura do SISU. Neste sentido, a afirmação do MEC/INEP de que “Não serão aceitos outros recursos além dos especificados no edital”, é típico do que poderia ser esperado em um regime ditatorial, mas nunca em uma democracia.

2)       No próprio GUIA DO PARTICIPANTE o MEC/INEP afirma que “...nós do MEC e do Inep entendemos que é um direito seu conhecer e entender o sistema de correção utilizado no Enem”. No entanto, não são disponibilizadas ferramentas que permitam ao aluno compreender sua nota final. Enfim, errar é humano, desconhecer o valor do que errou é desumano.

No entanto, é lógico que o processo de definição de notas nas avaliações das provas de múltipla escolha via TRI (Teoria de Resposta ao Item) obrigatoriamente gerou uma ferramenta de cálculo que permitiu ao INEP a determinação das notas dos candidatos a partir das respostas desses às questões das provas. Isso é inclusive apontado pelo MEC/INEP, o qual afirma também no GUIA DO PARTICIPANTE, que: “Considerando que o cálculo das notas de acordo com a TRI exige um conhecimento avançado de estatística e a utilização de recurso computacional...”.

Essa ferramenta computacional - ou qualquer outra ferramenta que permita ao candidato calcular sua nota a partir das questões que acertou ou errou - deve obrigatoriamente ser disponibilizada para que o próprio candidato verifique se sua pontuação foi calculada de forma correta, já que, apesar do INEP ter disponibilizado o gabarito oficial das questões de múltipla escolha, este não permite com que o candidato saiba sobre a qualidade de seu desempenho no exame.

3)       Etapas subjetivas, tal como a correção da redação, não podem possuir o elevado peso que possuem no atual processo avaliativo. Vale observar que o próprio MEC reconhece a possibilidade de haver discrepância entre a avaliação de dois corretores, e o índice anunciado de 20% encontra-se dentro do esperado por técnicos do Cespe/UnB, mas de forma alguma pode ser considerado baixo.

Vale mencionar que apesar de ser importantíssimo selecionar candidatos que saibam expressar por escrito suas opiniões de forma clara e gramaticalmente correta, o grande número de redações que devem ser avaliadas, o pouco tempo para execução de tal tarefa, e a subjetividade dos avaliadores pode levar a notas muito diversas e, portanto, é grande o risco de que tal avaliação leve a injustiças e reclamações, tais como as que vêm sendo apontadas nas redes sociais e nos mais diversos sistemas de comunicação do país;

4)       Com base em todas as críticas que vêm sendo feitas pela sociedade, é fundamental que o MEC/INEP reavalie o ENEM e, ainda nesta edição, tomem providências que permitam fazer com que essa ferramenta de avaliação seja exata, justa, segura e transparente. Como exemplo pode-se citar que o próprio MEC afirma que “A TRI não modifica, significativamente, a classificação dos participantes em relação ao percentual de acertos. Contribui, sim, para detalhar melhor as notas, o que ajuda a evitar grande número de empates. Aplicando ou não a TRI, o mais preparado se sairá melhor na prova”. Desta forma, já que o uso da nebulosa e incalculável TRI (ao menos para quem não dispõe do recurso computacional) tem agradado somente a alguns poucos pesquisadores, tendo desagradado a milhões de estudantes e a quase totalidade da sociedade brasileira, o MEC deveria efetuar a avaliação dos candidatos primeiramente pela aplicação do método convencional baseado na somatória simples do número de questões certas. A utilização da TRI poderia ser feita apenas como critério de desempate para os candidatos que apresentarem a mesma pontuação via método convencional.

Assim sendo, de forma a atender aos anseios desta geração que não aceita mais que respostas às suas dúvidas sejam dadas sem justificativas ou sem a possibilidade de verificarem se o que foi feito é certo ou errado, é necessário que o MEC/INEP atenda urgentemente a tais justas revindicações dos estudantes, sob o risco de, ao desconsiderá-las, acabar por se tornar a representação atual daquele antigo e odiado regime ditatorial, combatido por muitos dos que hoje compõem o governo que comanda este Ministério da Educação.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sentido geográfico de sertão: tudo aquilo que não é banhado pelo mar.

A brisa batia no seu rosto. Com os olhos fechados, você deixava o cheiro de sal que vinha do mar te envolver em lembranças. Sua expressão era serena, e eu queria saber em que você pensava. E foi quando você abriu os olhos, e sem olhar para mim, você disse: "Gosto de guardar você na minha mente. Tenho te fotografado muito com os olhos." Você voltou seu olhar observador para mim, sorriu e piscou os olhos apertadamente "Sorria. Tic!"
Acordei com a luz entrando por uma fresta da janela, que ia direto no meu rosto. Havia tido o mesmo sonho três vezes essa semana. A saudade que eu tinha de ti era grande e acumulava. Isso me deixava cada vez mais seca. Simplesmente, seca. E eu não sabia quando te veria novamente.
Sempre achei que eu era mar, mas depois que te conheci, me tornei céu. E agora que você se foi... Eu sou sertão, sem sequer uma brisa e sem previsão de chuva.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A glória de uma flor.


Avistava nos teus olho
brilho de uma galáxia
Que não haveria de apagar
Nem sequer por um segundo

E em cada suspiro
Escondia a agonia da vida
Que não haveria de lhe abandonar
Ao menos antes da terra a devorar.

A garota era sensível
E carregava a glória de uma flor
Que apesar de sua belez a e perfume
Não estava livre da dor.

Buscando esperança em cada esquina
Acabou se perdendo na avenida dos condenados
E cansada de andar sem 
Pa
rou de se questionar
Para achar seu lugar no mundo.

Aos poucos se esqueceu do seu nome
E a conotação das cores
Se subordinando à uma rotina de horrores.

A menina agora guarda a angustia
Sem esquecer a agonia, de ainda estar viva
E ás vezes um suspiro, é na verdade um apelo
Silencioso e tormento.

Tentou buscar esperança, no voo dos pássaros
E ao se jogar do penhasco
Notou que não tinha asas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por pura ansiedade;
Perdi o controle do que poderia ser tranquilo;
E agora sem qualquer tipo de piedade;
A vida me castiga e me faz sentir um lixo.

Tempestade.

Eu oscilo feito o mar;
E não sei do que sou feita;
Pois qualquer suspiro meu;
Se torna brisa;
E o maior pesar do vento;
É o de não possuir cor;
Pois de nós, o perfume ele já roubou;
E acompanha o tom;
De cada canto, cada pássaro;
Ocupando todos os cômodos;
Todos o meus buracos;
Que foram causados pelo tempo áspero.

sábado, 15 de setembro de 2012

Saudade de ter vontade.

Vontade de fazer poesia;
De fazer amor com um desconhecido;
De acordar no fim do dia;

Vontade de não fazer nada;
De nadar de branco no rio;
De deitar pelada no chão, apenas para sentir frio;

Saudades de correr descalça;
De plantar um lírio o jardim;
De não conseguir ver o fim estrada;

Saudades de cantar, sem desafinar;
De ver as formigas roubarem o açúcar;
De amar a ponto de fazer minha pele arrepiar.